Não é possível falar deste dia sem recordar Rómulo de Carvalho, porque o Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de Novembro, foi adoptado em 1997 para comemorar em Portugal, o dia do seu nascimento e divulgar o seu trabalho na promoção da Cultura Científica e no ensino da ciência.
- Quem foi Rómulo de Carvalho?
Rómulo de Carvalho foi um grande, se não o maior, divulgador da Ciência até aos dias de hoje.
Filho de pais algarvios nasceu, em Lisboa, a 24 de Novembro de 1906 e faleceu a 19 de Fevereiro de 1997.
O seu percurso estudantil foi excelente:
… Fez a instrução primária em Lisboa.
… De 1917 a 1925 estudou no liceu Gil Vicente.
… Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências.
… Seguidamente, em 1928, matriculou-se na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto no curso de Ciências Físico-Químicas, que concluiu em1931.
Rómulo de Carvalho herdou de sua mãe a paixão pela literatura e teve a oportunidade de contactar com poetas como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Cesário Verde, entre outros. Aos 5 anos escreveu os seus primeiros poemas.
A par desta inclinação inevitável para as “letras” apercebeu-se que outra paixão se ia intensificando nele e despertando um novo interesse: as “ciências”. E afinal foi mesmo esta, a área escolhida para a sua vida.
Rómulo de Carvalho, de nome completo Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, foi de facto um ilustre professor de Química e de Física e, simultaneamente, um poeta que nunca mais será esquecido, conhecido pelo seu pseudónimo António Gedeão.
Em 1934 iniciou a actividade docente no Liceu Camões, em Lisboa, continuando mais tarde a leccionar em Coimbra no Liceu D.João III e, a partir de 1958, de novo em Lisboa, agora no Liceu Pedro Nunes e como Professor Metodólogo.
Foi professor, pedagogo, autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico.
A sua dedicação árdua e profunda ao estudo e desenvolvimento da ciência, assim como à sua divulgação foi uma constante durante toda a sua vida nunca parando de trabalhar até ao fim dos seus dias. Sabe-se que deixou trabalhos concluídos mas por publicar.
Apesar da sua intensa actividade científica nunca esqueceu a arte das palavras.
Continuou sempre a escrever poesia mas só em 1956, tinha Rómulo 50 anos, publicou o seu 1º livro de poemas “ Movimento Perpétuo”e assinado por António Gedeão. O livro foi muito bem aceite pela crítica e Gedeão continuou a escrever.
Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança.
Poeta, autor de “Pedra Filosofal”, em toda a sua poesia misturou a beleza e a simplicidade das palavras com a ciência das coisas simples.
- A Cultura Científica e o Ambiente
Todos estamos de acordo que o mundo contemporâneo é um mundo profundamente transformado de modo irreversível pelo impacto das ciências e tecnologias.
Sendo a cultura um conjunto de costumes, práticas e comportamentos que são adquiridos e transmitidos socialmente de geração em geração, um conjunto de conhecimentos relativos a um ou vários domínios científicos, a uma ou mais áreas do saber, então Cultura Científica é esse conjunto de comportamentos que, com base na realização de testes e experiências, tem a objectividade, a precisão e o rigor próprios das ciências.
Actualmente a cultura científica está interligada a praticamente todos os domínios da vida social, tais como o do ambiente, da educação e da qualidade de vida
6º A cultura científica pode ajudar o nosso Planeta!
Já que o ambiente é o meio físico, social ou moral em que se vive sendo que é o conjunto
das condições físicas, químicas e biológicas susceptíveis de agir sobre uma determinada população animal, vegetal ou humana e sabendo que os ecologistas alertam para a necessidade de proteger e preservar o ambiente insistentemente chamando a atenção para a contaminação e degradação que se verifica pelo excesso de matérias tóxicas, detritos, ruídos, enfim… substâncias poluidoras, então a divulgação da cultura científica é urgente.
Lembremo-nos que a civilização ocidental mudou por completo com a invenção da imprensa por Gutenberg em 1454. Antes desta invenção os livros eram manuscritos e se eram impressos eram em número muito reduzido, permitindo assim que a difusão de ideias fosse controlada. Com a imprensa esse controlo diminuiu ou praticamente desapareceu.
Note-se que a Internet e o aparecimento de ferramentas simples para a criação de blogs pode ter, a longo prazo, um efeito comparável ao da invenção da imprensa.
Sonhemos com um ambiente saudável e com a salvação do Planeta!
Sonhemos como Rómulo de Carvalho/António Gedeão…
Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos de uma criança